terça-feira, 5 de julho de 2011

Flash Verde

Caramba, ficou uma foto do pôr do Sol para trás! Ela foi tirada dia 13 de junho em Curitiba e mostra, no limbo superior do Sol, o fenômeno chamado Flash Verde.


Esse fenômeno é causado pela turbulência da nossa atmosfera, mais evidente quando o Sol está baixo no horizonte. A luz solar é formada por todas as cores, e cada cor é refratada de uma maneira diferente (um ângulo diferente). A luz verde parece se destacar do Sol por refratar mais que outras cores.

Apenas para uma informação mais técnica, a luz azul se refrata ainda mais que a verde. Ocorre que a atmosfera absorve e espalha de maneira mais eficiente essa cor, impedindo-a de chegar aos nossos olhos.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Pôr do Sol, eclipse, nascer da Lua - tirando o atraso!

Esses tempos andei ocupado com assuntos pessoais, mas o Sol e a Lua não pararam de dar espetáculos. Resultado: acúmulo de material! O dia mais importante em termos atmosféricos e celestes dentro dos últimos dias foi 15 de junho, dia do eclipse lunar total.

Mas esse eclipse foi limitado para nós aqui no Brasil, pois a Lua já nasceu eclipsada. Em Curitiba, especialmente, a grande poluição no ar causada pela falta de chuvas limitou ainda mais a visão do eclipse. Dessa forma, só pude começar a perceber a Lua quando ela inicou sua saída da sombra.

Um pouco mais tarde a Lua, já mais alta no céu e na fase parcial do eclipse, apareceu melhor.

O eclipse às 18:11

De qualquer forma, tentei pegar em foto a Lua ainda na fase de totalidade.

O eclipse às 17:59.

Não resisti e fiz uma brincadeira em HDR logo após a totalidade, já com uma pequena parte da Lua brilhando ao sol. O HDR é uma técnica utilizada para se tentar fotografar objetos com muita diferença de brilho. Com isso eu quis pegar detalhes tanto na área de sombra como na área iluminada da lua.

O eclipse em HDR.

O show continuou no dia seguinte, 16 de junho. O pôr do Sol foi lindo, com o disco solar afetado pela estratificação da atmosfera. Essa condição se deve ao fato do perfil vertical de temperatura não seguir o padrão normal, havendo camadas de inversão térmica (aumento da temperatura com o aumento da altitude). Note na foto que, do lado direito do disco solar, aparecem algumas manchas solares.


Aproximadamente uma hora depois, nasce a Lua por detrás da Serra do Mar!


Vamos ver o que os próximos dias nos reserva!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Pôr do Sol Estratificado

No dia 12 de junho de 2011 acompanhei o pôr do Sol em Curitiba. O tempo por aqui anda bastante seco e limpo, condição ideal para a formação de inversão térmica e o consequente aprisionamento de poluentes sobre a cidade.

Isso porque a temperatura tem variado bastante durante o dia, com mínimas de 4 graus e máximas de 20. A falta de umidade no ar permite uma grande perda de calor pr parte do solo durante a noite, deixando uma camada de ar mais frio próximo à superfície, caracterizando a inversão térmica. Em outras palabras: o ar fica estratificado.

O Sol, baixo no horizonte, evidencia algumas camadas de inversão. Seu disco aparenta estar com algumas orelhas por conta dessas camadas.

sábado, 4 de junho de 2011

Conjunção Saturno Porrima II

Saturno e Porrima continuam de braços dados nos céus. No dia 29 tirei mais algumas fotos dessa duplinha.


Nesta foto um avião em aproximação ao aeroporto de Curitiba quase os tocou. Saturno e Porrima são os dois pontinhos logo acima do rastro do avião, um pouco à esquerda. À direita deles, também acima do rastro, está a estrela Spica.


Aqui a duplinha está quase no centro. Grande parte do campo desta foto pertence à constelação da Virgem, da qual Porrima faz parte.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Lua Nova

No dia 1° de junho houve um eclipse solar parcial um tanto especial. Ele ocorreu no Àrtico, e à meia-noite. Ou seja, eles tiveram um eclipse do Sol da Meia-Noite. Eu não fui lá ver, mas um dia depois, dia 2, decidi tentar achar a Lua no céu, que estaria tão fina quanto um fio de seda.

O ciclo lunar é contado em dias a partir da Lua nova, ou seja, a partir do momento que a Lua passa pelo seu ponto mais próximo do Sol, vista da Terra. Uma Lua de 7 dias, por exemplo, é uma Lua crescente, uma semana depois da Lua nova. Normalmente diz-se que a Lua está com tantos dias de idade.

A foto abaixo mostra a Lua com 0,97 dia de idade, ou seja, pouco menos de 24 horas. Foi a Lua mais fina que já consegui ver. Ao binóculo eu percebia aquele fio de seda, tão fino quanto a lâmina de uma navalha! Nunca tinha visto a Lua tão fina assim. Ela está próxima da borda superior da foto.


Se o tempo estiver bom faço uma nova tentativa na próxima Lua nova.

sábado, 28 de maio de 2011

Conjunção Saturno Porrima

Nos últimos dias muita gente ligada à astronomia tem comentado sobre a conjunção entre Mercúrio, Vênus, Marte e Júpiter nas últimas horas da madrugada. Urano também tem estado mais ou menos na mesma região do céu. E quando a Lua passa por lá, a confusão está completa.

Mas para que tem dificuldades de acordar cedo, há uma outra conjunção em andamento, mas que anda meio renegada. Trata-se do planeta Saturno e da estrela Porrima, da constelação da Virgem. Na foto abaixo, a conjunção está no centro da foto, com Porrima à esquerda e Saturno à direita.



Esta foto foi tirada no dia 25 de maio de 2011 em Curitiba. No começo do mês que vem os dois corpos estarão em sua aproximação máxima, com pouco mais de 15 minutos de arco. Saturno então iniciará um movimento retrógrado, afastando-se da estrela pelo mesmo lado que veio se aproximando.

O esquema abaixo mostra a posição relativa do par. A linha vermelha indica o caminho de Saturno pelo céu, onde os números indicam o dia, a partir de 8 de maio na linha de cima, até dia 12 de junho na linha de baixo.



Lembrando: sempre clique nas imagens para ampliar.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Semana Memorável

A semana de 02 a 06 de maio em Curitiba foi espetacular em termos de limpidez do céu. Raridade por aqui, tivemos vários crepúsculos espetaculares e noites limpas.

Isso foi resultado de uma massa de ar polar que penetrou o sul do Brasil depois da passagem de uma rápida frente fria, no domingo dia 1°. De segunda até quarta as temperaturas ficaram baixas, e na quinta e sexta ficaram amenas, bem agradáveis, mas sempre acompanhadas por céu praticamente livre de nuvens.

Na segunda-feira o céu estava tão límpido e livre de poluição que o Sol, mesmo quase se pondo, estava quase tão forte quanto ao meio-dia! Na foto abaixo, tive que reduzir tanto a exposição que o céu praticamente não apareceu, por causa do intenso brilho do Sol.



Nessas condições, o que me chama muito a atenção pela sua beleza é o Cinturão de Vênus, a faixa avermelhada que se ergue no céu depois do pôr do Sol, mas no lado contrário. Ela divide a parte da atmosfera iluminada pelo Sol da parte mergulhada na sombra.



Mais tarde resolvi brincar com astrofotografia urbana. Fiz tudo o que não se faz em uma cidade. Tudo bem, foi apenas por desafio. Assim, segue uma foto do objeto celeste catalogado por Messier como número 4, ou M4, na constelação do Escorpião.



E M17, ou Nebulosa Ômega, em Sagitário.



Na terça-feira o céu fechou logo após o pôr do Sol. Mas na quarta tivemos outro anoitecer lindo. Abaixo, o céu logo após o pôr do Sol.



Foi então que notei a Lua. Estava fina... tão fina quanto um fio de seda!!!





Na quinta a beleza do anoitecer se repetiu, com a presença da Lua fina. Mas foi na sexta que tive mais trabalho. Um flare de Iridium com magnitude de pico -7 (ou seja, muito brilhante) ocorreria às 18:38:09. Devido à limitação de ângulo de dentro do apartamento, resolvi descer para fotografar e vê-lo. Uma moradora do prédio, que chegava, foi ver o que eu estava fazendo. Ela teve a sorte de chegar exatamente na hora do flare! E achou um espetáculo!! Eu que me distrai um pouco e não mirei bem a câmera, mas valeu! Ainda por cima peguei um avião que passara poucos segundos antes do satélite.



Mas no sábado anterior a toda essa conversa, dia 30 de abril, o céu deu um espetáculo depois da meia-noite. Houve uma chuva à tarde, seguida por uma condição que dispersou todos os poluentes do ar. Resultado: céu maravilhoso de madrugada, considerando-se um ambiente totalmente urbano. Da casa da minha noiva vi objetos celestes que nunca vejo da cidade, dentre eles o Messier 7 e Ômega do Centauro. Esse último particularmente nunca imaginei que um dia veria de dentro de Curitiba!

Chegando em casa algumas nuvens altas apareceram, mas na verdade elas adicionaram uma beleza particular. Elas eram onduladas.



Semana memorável!!!