sexta-feira, 2 de março de 2012

Nascer do Sol no Mar

Entre os dias 18 e 22 de fevereiro de 2012 eu estava em Caiobá com minha esposa, onde passamos o carnaval. Não que a gente goste de pular em frente aos carros alegóricos, mas o ambiente de praia sempre foi especial para nós. Assim, nos divertíamos à nossa maneira.

Uma dessas maneiras foi ver o Sol nascer no mar. No dia 21 à noite, portanto nossa última noite lá, ela me convenceu a acordar cedo para ver o Sol surgir no horizonte marinho, visível da própria sacada do edifício onde estávamos. Concordei com a ideia, e já deixei tudo preparado na sala.

Valeu a pena. Tendo havido um período de tempo extremamente estável em todo o período do carnaval, uma pequena frente fria ameaçava entrar no Paraná lá pelo dia 22 à noite ou 23. No dia 22 de manhã, uma pequena alteração nas condições atmosféricas fez com que algumas poucas nuvens de média altitude formassem. Foi o suficiente para deixar a cor do céu no horizonte leste de um laranja bastante intenso.

Os primeiros raios de Sol
Uma pequena distorção devido à refração atmosférica - o Sol nesse formato chama-se Sol Ômega

Devido à refração atmosférica, uma pequena miragem de formou na parte de baixo do disco
O Sol e a ilha do Itacolomi, à esquerda.

 Foi um nascer do Sol de cores maravilhosas! São imagens que ficarão na minha lembrança para sempre.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Flash Verde

O flash verde, em se relacionando ao Sol, é um fenômeno que ocorre normalmente durante seu ocaso ou nascer. Dificilmente é observável a olho nu. Mas se acompanharmos o Sol descendo em direção ao horizonte por um telescópio munido de filtro solar, por vezes podemos notar pedaços do disco aparentemente se desprendendo e assumindo a cor verde. É o flash verde. Além do mais, o disco solar parece com várias indentações ao invés de um círculo perfeito.

O Sol, na verdade, é como uma bola perfeita. Mas nossa atmosfera se encarrega de distorcer a imagem. Variações bruscas no perfil vertical de temperatura do ar fazem essas distorções ficarem mais evidentes, por vezes culminando em flashes verdes, verdadeiros lampejos de luz verde conforme explicado no parágrafo anterior.

Isso ocorreu no pôr do Sol do dia 11 de fevereiro de 2012 em Curitiba. De lambuja, um guindaste usado na construção de um shopping aparece na frente do Sol.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Lua

Olá pessoal! No dia 31 de janeiro resolvi brincar um pouco com a Lua, até para comemorar a volta do céu livre de nuvens nas noites curitibanas depois de mais de 1 mês com o tempo nublado. Na terceira foto o que se destaca é uma linha escura no meio de uma grande cratera, localizada no terminador (trecho que divide a porção iluminada da não iluminada da Lua). Essa linha é a sombra de um grande degrau na superfície, como se fosse uma grande chapada.



domingo, 29 de janeiro de 2012

Júpiter e Avião

Poisé pessoal, o dia 27 de janeiro de 2012 foi o dia de janeiro mais frio em Curitiba nos últimos 14 anos, com mínima oficial de 11,7C. O dia todo, assim como praticamente o mês inteiro, foi totalmente encoberto. Contudo, à noite o céu limpou. Fui à janela da sala com minha mulher para observar o céu estrelado. De repente, um meteorito muito forte cruzou meu olhar. Um verdadeiro ponto brilhante correndo o céu, muito rápido. Lindo!

Pouco depois, brinquei um pouco com Júpiter. Na foto abaixo, seus 4 satélites aparecem próximos do planeta formando uma linha reta, sendo que um deles está quase "colado" ao disco.



Pouco depois, nós vimos um satélite fazendo um baixa flare, um súbido aumento de brilho que faz com que ele pareça mais forte até que o planeta Vênus. Eu o peguei começando a se apagar, contudo, poucos segundos depois, o mesmo satélite fez no novo flare, mais fraco. Um flare duplo! Minha esposa perdeu o meteorito, mas viu muito bem o flare duplo.

O dia 28 ainda amanheceu encoberto, mas abriu no começo da tarde. Aproveitei para brincar mais. Mais tarde, com o Sol já abaixo do horizonte, vi um avião vindo lá no horizonte. Apesar de já estar começando a anoitecer, o rastro produzido pelo avião ainda estava iluminado, apresentando uma cor meio vermelho meio rosa.



O rastro, chamado rastro de condensação, é resultado da condensação de vapor d'água na esteira de ar quente deixada atrás do avião, que se resfria bruscamente em contato com o ar a uns 40 ou 50 graus abaixo de zero da altitude de cruzeiro. É exatamente a mesma forma de condensação que ocorre sobre as garrafas geladas, quando sopramos ar quente sobre elas.

À noite desci com minha esposa para a área da piscina do edifício e vimos Júpiter ao telescópio. Uma grande tempestade se descortinava em uma de suas faixas amarronzadas.

Poisé, foi bom voltar a brincar com essas coisas, depois de mais de 1 mês de tempo desfavorável. Matei um pouco a saudade.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Júpiter

Na postagem anterior mostrei alguns halos que apareceram na viagem que eu e minha esposa fizemos à pousada Cainã, no dia 17 de dezembro de 2011. Mas as atividades não pararam por aí, pois no dia 18 diversas iridescências apareceram nas nuvens enquanto estávamos na piscina da pousada. Iridescências são cores metalizadas nas nuvens, normalmente verdes, vermelhas e rosas, causadas pela interãção da luz solar nas gotículas de água que compõem essas nuvens.

Já de volta a Curitiba, o planeta Júpiter aparecia num céu limpo, pedindo para ser fotografado com telescópio. Atendi ao seu pedido. Quando observei-o, notei a Grande Mancha Vermelha e também uma outra tempestade, bem forte. Na foto abaixo, a mancha aparece na faixa marrom de cima, à esquerda, e a tempestade na faixa de baixo à direita, como uma mancha elíptica e escura.

Àdireita do planeta aparecem três dos seus satélites principais. Do mais próximo ao mais afastado: Europa, Io e Calisto. O outro satélite, Ganimedes, estava fora do campo de visão, do outro lado do disco do planeta.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Fenômenos Óticos na Serra do Purunã (PR)

É muito gratificante quando introduzimos em alguém um conhecimento em uma área diferente do que a pessoa está acostumada, e depois essa pessoa começa a desenvolver habilidades próprias nesse novo campo. Mais gratificante ainda é quando essa pessoa é nossa esposa.

Aconteceu a 60km a oeste de Curitiba, na região chamada Serra do Purunã, no dia 17 de dezembro de 2011. Estávamos chegando em uma pousada onde nos hospedaríamos. Eu voltada lá de dentro da recepção, e ela, dentro do carro, chamou minha atenção com uma aparente urgência. Eu, do lado de fora, fiquei até meio preocupado com o que poderia ter acontecido, até porque não escutava o que dizia. Abri a porta e ela falou agitada "Olha o parélio!!!"

Era muito brilhante. Foi o segundo mais brilhante que já vi na vida. Trata-se de um fenômeno ótico atmosférico que ocorre ao lado do Sol, a uma certa distância dele, na mesma horizontal.

Parélio à direita do Sol


Depois de contemplá-lo, comecei a imaginar a possibilidade de aparecer um arco circunzenital. Trata-se de um fenômeno belo que ocorre alto no céu quando o Sol está baixo, e se parece com um sorriso colorido. Os cristais de gelo responsáveis pelos dois fenômenos são os mesmos. Como as nuvens estavam vindo da direção do Sol para nós, a possibilidade de aparecer um era razoável.

Pegamos o carro e nos dirigimos ao nosso chalé. Ao sair do carro, meu coração disparou. Não era um ataque do coração, mas minha reação à visão mais espetacular que já tive em toda minha vida em se tratando de ótica atmosférica. O mais brilhante arco circunzenital já visto. Um maravilhoso sorriso no céu, com cores vívidas e puras. Muito brilhante! Lá estava ele. Fiquei louco, e levei minha esposa Cris à loucura também. Comecei a falar alto, sem mesmo verificar se o chalé perto do qual estávamos era mesmo o nosso, e não o de outro hóspede que poderia achar que havíamos bebido até estourarmos. Fui rapidinho checar e era o nosso mesmo.




E não era só isso. Apesar de fraco, apareceu também um halo raro, o arco supralateral. Ele está melhor visível na segunda foto. É um arco na esquerda do enquadramento, abaixo do circunzenital, voltado para baixo.

Essas visões vão ficar para sempre na minha mente. Contemplamos os fenômenos por vários minutos. Minha esposa adorou.

Mais informações, em inglês sobre os fenômenos descritos aqui:

Parélio: http://www.atoptics.co.uk/halo/parhelia.htm
Arco circunzenital: http://www.atoptics.co.uk/halo/cza.htm
Arco supralateral: http://www.atoptics.co.uk/halo/supinf.htm

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Halos e Casamento

Pessoal, passei um tempo sem postar nada no blog pois casei-me. Meu tempo estava mais voltado para as tratativas do casamento... mas não que eu tenha deixado de olhar o céu. A propósito, minha esposa tem compartilhado comigo o gosto pelos fenômenos celestes e até me chamando a atenção para a aparição de fenômenos óticos, como contarei no próximo post.

E parece que os halos têm nos perseguido. Dia 6 de novembro, 20 dias antes do casamento, tinhamos marcado uma sessão de fotos na praia como parte dos nossos álbuns do casamento. Participaram um fotógrafo e um maquiador. Fomos para Caiobá, litoral do Paraná, e não deu outra: um belo halo circular no final da nossa sessão. O fotógrafo e o maquiador disseram nunca ter visto esse tipo de fenômeno, e aproveitaram para tirar fotos nossas com o halo. Como eu não estava com meu equipamento pessoal, não posso colocar aqui fotos desse fenômeno.

Dia 26 de novembro foi o dia do casamento. E outra vez: halo circular perto do meio-dia, para coroar meu dia tão esperado e especial.




Depois do casamento fomos para nossa Lua de Mel, no município de Governador Celso Ramos, em Santa Catarina. No dia 29 de novembro, um parélio nos deu as graças, aqui visto à esquerda do Sol.


Mais ainda por vir. Aguardem.