quarta-feira, 6 de março de 2013

O Cometa Pastarrs em Curitiba


Ontem, dia 5 de março de 2013, tive minha primeira visão a olho nu do cometa Panstarrs. Foi de casa mesmo, em Curitiba, então fiquei imaginando como seria do campo aberto, longe da cidade. Mesmo assim, foi uma visão que ficará na memória para sempre. Há 6 anos não vejo um cometa a olho nu, sendo esse último o grande cometa do século McNaught, em janeiro e fevereiro de 2007.

A imagem ao binóculo foi espetacular. Estava com um núcleo muito forte, e a cauda era facilmente visível. A oilho nu, a cauda era visível com visão periférica.

Mas houve muito esforço para eu conseguir ter essa visão. Na quinta-feira dia 28 de fevereiro fui ao observatório na cidade vizinha de Campo Magro, mas o céu fechou na hora que estava escurecendo. Outros dias também foram nublados em Curitiba, E o dia 5 parecia seguir a tendência. Uma grande tempestade se abateu próxiumo ao meio-dia, e depois choveu grande parte da tarde. Mas faltando 1 hora para o pôr do Sol o céu abriu a oeste, onde o cometa se localizava. Com a atmosfera límpida devido à passagem desse sistema climático, a visão do cometa foi favorecida após o pôr do Sol.





Também consegui avistar o cometa Lemmon nos dias 24 de fevereiro em Curitiba, e no dia 2 de março no observatório de Campo Magro.


Cometa Lemmon em Campo Magro, PR, em 2 de março de 2013.

Cometa Lemmon em Curitiba, em 24 de fevereiro de 2013
Temos ainda alguns dias para vermos o Panstarrs. Se o céu estiver limpo, olhe para oeste uns 40 minutos após o pôr do Sol, ainda na faixa de azul escuro do crepúsculo. A partir do dia 11 de março, o cometa seguirá para o norte e não será mais visível para nós.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Eventos do dia 15/02 - Meteoro, asteroide, cometa, parélio


Olá pessoal, realmente a sexta-feira passada, dia 15 de fevereiro, foi um dia cheio! Já estava prevista para essa data a passagem do asteroide 2012 DA14, com 50 ou 60 metros de tamanho, desde o ano passado. O Brasil não estava bem posicionado para sua observação, requerendo para isso instrumentos grandes. Mas Daniel López, nas Ilhas Canárias, fez um belo vídeo da sua passagem:

http://apod.nasa.gov/apod/ap130217.html

Mas os russos viram mais: um meteoro, muito provavelmente sem relação com o asteroide, provocou uma onda de choque que feriu mais de 1000 pessoas, algumas horas antes da passagem do asteroide. Muitos vídeos circularam pela internet, mas a meu ver a página com a melhor coleção de vídeos é esta, de Alexander, Zaytsev:

http://say26.com/meteorite-in-russia-all-videos-in-one-place

Mas meu dia não tinha acabado. No final da tarde em Curitiba, houve a formação de um tênue parélio e um halo circular. Decidi fazer um vídeo em time-lapse pegando o evento, terminando no início do anoitecer:

http://www.youtube.com/watch?v=XYGCghRVzQI

E duas das fotos que fiz:




Depois do anoitecer, deliciei-me com a primeira noite sem muitas nuvens em Curitiba depois de várias semanas de céu permanentemente nublado. Aliás, acho que foi a terceira ou quarta noite com estrelas em todo o ano de 2013. Sob as grandes limitações de um céu poluido pelas luzes da cidade, tive que fazer muita mágica para revelar um pouco do cometa Lemmon, que desbancou o cometa Panstarrs em brilho. Hoje esse cometa já está atingindo o limiar da visibilidade a olho nu em um céu sem poluição luminosa. A propósito, nesse dia, o cometa fez sua maior aproximação do aglomerado estelar chamado 47 Tucana, um lindo aglomerado bem compacto.

O cometa Lemmon, a manchinha esverdeada embaixo, e o aglomerado 47 Tucana, em cima, na mesma vertical do cometa.

O cometa Lemmon, fotografado da grande cidade com telescópio de 600mm de distância focal e 6 segundos de exposição.

Agora é esperar os próximos fenômenos.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Cometas de 2013


Olá pessoal,

Este ano de 2013 pode ser um ano bom com relação a cometas. No presente momento temos dois cometas se aproximando do Sistema Solar interno e, portanto, da Terra. Um deles é o Panstarrs, e o outro é o Lemon. Em novembro, se tivermos sorte, ainda poderemos ter o cometa Ison.

Esses cometas ainda estão invisíveis a olho nu, portanto binóculos ou telescópios são necessários para se ver seus núcleos. O cometa Lemmon está com brilho maior que o Panstarrs e, portanto, tem sido alvo de caçadas por parte dos astrônomos amadores. Se você quiser tentar vê-lo, pegue um binóculo e o procure nos locais indicados na carta abaixo onde a posição do cometa está plotada para cada dois dias.

Caminho do cometa Lemmon em fevereiro de 2013.
Fonte: http://www.psychohistorian.org/display_article.php?id=201301231248_comet_lemmon.content
O Cruzeiro do Sul é a referência para se chegar nele. Ache o Cruzeiro (identificado como Crux na carta acima), localize seu braço maior e siga na direção dessa linha a partir da estrela de Magalhães, a que está na ponta da cruz. Nos dias 17 a 20 de janeiro ele passou por dentro da constelação, e desde então tem se dirigido em direção ao Pólo Sul Celeste, o ponto do céu na direção sul em torno do qual as estrelas parecem girar ao longo da noite (o centro dos círculos na carta). Estando tão próximo desse ponto, o cometa não se põe em nenhum momento para a maior parte do Brasil, condição conhecida como "circumpolar".

Lembre-se de se afastar da cidade grande, caso esteja em uma delas.

Boa sorte!

O cometa Lemmon, fotografado na praia de Atami, litoral do PR, no início da madrugada de 19 de janeiro. Ele é o pontinho verde perto do centro da foto. As estrelas do Cruzeiro do Sul são as mais fortes nos 4 cantos.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Cometas de 2013

Este ano há pelo menos 2 cometas para observarmos, ambos em março, chamados Panstarrs e Lemmon. Um outro, o Ison, pode fazer seu show em novembro caso resista à sua aproximação com o Sol sem se evaporar completamente.

 Os dois cometas de março já estão visíveis com instrumentos, sendo que consegui uma foto do Lemmon no começo da madrugada de 19 de janeiro na praia de Atami, litoral do Paraná. Ainda está sem cauda por estar ainda longe, mas o que me chamou a atenção foi sua posição singular. Ele estava exatamente dentro da constelação do Cruzeiro do Sul, exatamente sobre o cruzamento das linhas que fazem a cruz.

 As condições do tempo eram extremamente desfavoráveis. Nas duas noites que passei na praia, o Cruzeiro do Sul só se fez visível por 45 segundos na primeira noite. Tive que correr com a foto!

Na foto, as estrelas do cruzeiro estão nos cantos. O cometa é a mancha verde, e embaixo está o aglomerado Caixa de Jóias. Pretendo acompanhar a evolução dos dois cometas, sendo que em março pretendo me preparar para o show do Panstarrs. Caso se confirme esse show, vale a pena vocês se prepararem também, pois poderemos ter uma bela cauda após o pôr do Sol nas duas primeiras semanas do mês!
Cometa Lemmon, a mancha verde um pouco à esquerda do centro

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Sequência de Crepúsculos em Curitiba

Os crepúsculos são momentos mágicos. A mudança de luz entre o dia e a noite pode render belos degradês de cores, especialmente quando nuvens altas estão presentes. Amarelos e vermelhos se misturam aos diferentes tons de azul do céu, deixando o momento do crepúsculo ainda mais mágico.
 
Tive a oportunidade de vivenciar 4 dias seguidos com crepúsculos de fogo em Curitiba, em que nuvens altas tingiram-se de amarelos e vermelhos vivos, contrapondo-se ao azul escuro de fundo do céu. No primeiro desses dias eu estava na cidade vizinha de Campo Magro, pertencente à região metropolitana de Curitiba, participando de um churrasco de confraternização do Clube de Astronomia do Colégio Estadual do Paraná (CACEP), do qual faço parte.
 
Foi no dia 8 de dezembro e foi uma surpresa, pois o dia todo foi tempestuoso, com chuvas fortes intermitentes, trovões e nuvens carregadas. Na realidade foi bastante divertido. Mas o pôr do Sol nos reservou um belo espetáculo de cores vivas e quentes e até um trecho de arco-íris vermelho.





No domingo, dia 9, também não imaginava que haveria um espetáculo, pois o dia foi bastante nublado. Mas minha esposa falou que haveria um pôr do Sol para vermos. Realmente, no final da tarde o Sol apareceu, apesar de ainda ter muitas nuvens baixas. Mas logo em seguida nuvens bem baixas, vindas da Serra do Mar, cobriram todo o céu.
 
No pôr do Sol, surpresa! As nuvens baixas sumiram, deixando à mostra um céu todo avermelhado! Minha esposa tinha razão.




O dia 10 foi ensolarado de manhã e nublado à tarde, com chuva pesada. Mas houve nova surpresa no pôr do Sol. Mais nuvens altas deram um show, tingindo-se das tradicionais cores quentes. Dessa vez, contudo, eu estava sem a câmera que normalmente uso.




O crepúsculo do dia 11 também me pegou de surpresa. O dia foi bastante nublado e nada indicava uma abertura no pôr do Sol. Encontrei-me com meu amigo João Júnior no shopping Crystal e ainda estava lá durante o início do anoitecer. Não vi o céu, mas percebi que a cidade não estava tingida de vermelho como das outras vezes. Contudo, quando fui para casa, vi belas nuvens no final do anoitecer no horizonte, que renderam um belo espetáculo.



sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Ocultação de Júpiter em 28 de novembro de 2012

O dia 28 de novembro de 2012 reservou um belo espetáculo celeste para nós aqui embaixo na Terra, pelo menos para aqueles que estavam no centro-sul do Brasil e norte da Argentina: uma ocultação do planeta Júpiter pela Lua.

Curitiba é uma cidade conhecida pelos seus céus quase sempre nublados, e não foi diferente nos dias anteriores. Mas no dia da ocultação a cidade se comportou direitinho, como uma criança muito bem-educada. Nos dias posteriores, voltou ao normal.

Tive acesso ao terraço do edifício onde moro e montei lá meus equipamentos. Fui com tempo de sobra não só para montar, mas para ver o pôr do Sol e o nascer da Lua, que ocorreriam antes do evento da ocultação. Com tudo montado, esperei pelo Sol tocar o horizonte oeste-sudoeste sob um céu todo azul.

Pouco antes das 20 horas no horário de verão brasileiro, o Sol se pôs num belo espetáculo. Um disco amarelo-alaranjado brilhante descendo por trás de árvores longínquas.



Assim que o Sol se pôs, virei o telescópio para o outro lado e comecei a esperar pelo nascer da Lua na Serra do Mar. Havia dois prédios próximos do setor onde ela nasceria que poderiam atrapalhar. Mas qual não foi minha surpresa quando ela nasceu exatamente no espaço entre eles! Bem, nasceu com uma parte escondida atrás de um deles, mas o efeito até que ficou legal, pois o prédio tinha janelas que refletiam as cores do pôr do Sol.



Logo depois da Lua, Júpiter apareceu, sendo facilmente detectável ao binóculo abaixo dela. Passados alguns minutos, já era possível vê-lo a olho nu, juntamente com a Lua e o prédio. A Lua estava com uma bela cor laranja e depois amarela, e as janelas do prédio ainda refletiam as cores do outro lado do céu.



À medida que iam subindo, Lua e Júpiter iam ficando mais próximos. Era uma cena incrível. Ao binóculo era um espetáculo! Ia escurecendo e eu estava esperando o horário das 21:05, quando ocorreria a imersão do planeta.


Logo antes do horário da imersão, deixei a câmera fotográfica preparada para fazer fotos em time-lapse da imersão, acoplada ao telescópio apocromático de 600mm de distância focal. Enquanto isso, comecei a olhar pelo outro telescópio, de 1000mm. Havia alguma turbulência devido ao fato da Lua e Júpiter ainda estarem baixos no céu. Durante a ocultação estaria acontecendo também o trânsito da sombra do satélite Ganimedes pelo disco de Júpiter, mas não consegui enxergá-la. Mas a entrada do planeta por trás da Lua foi lindo de se ver! Em pouco mais de 2 minutos, a Lua engoliu Júpiter, com suas faixas equatoriais de nuvens, completamente.



Não passou 1 minuto do fim da imersão e meu celular já tocou. Era o Mendonça, avisando que estava vendo a Estação Espacial Internacional passando no outro lado. Virei-me e lá estava ela! Aquele ponto brilhante se deslocando pelo céu, a aproximadamente 400km de altura. Fiquei acompanhando-a por mais ou menos 1 minuto, quando ela finalmente entrou na sombra da Terra e desapareceu.

Desci ao meu apartamento para jantar e esperar pela emersão. Deixei tudo no terraço. Faltando poucos minutos, subi de volta. Novamente deixei a câmera fazendo um time-lapse no telescópio pequeno e mirei o grande para olhar. Como dessa vez não havia referência para saber exatamente onde Júpiter apareceria, tive que ficar atento. Então, de repente, surgiu um calombo. Lá estava ele. Dessa vez havia menos turbulência, e o planeta estava bem mais bonito. Além disso, havia uma finíssima faixa preta entre o disco da Lua e de Júpiter, separando os dois. Era o resultado da pequena faixa da noite lunar visível, ou seja, o início da fase descrescente da Lua. Coincidentemente, tinha havido um eclipse penumbral da Lua algumas horas antes. Esse tempo de algumas horas já havia sido suficiente para deixar visível para nós uma finíssima parte do lado escuro da Lua.



Foi então que, de repente, lá estava ela! A sombra de Ganimedes no disco de Júpiter. Quando o planeta já estava metade para fora, a sombra apareceu como um minúsculo ponto negro na superfície. Foi uma cena inesquecível, que vai ficar na minha memória para sempre. As belas faixas equatoriais de Júpiter e um ponto negro na superfície, vagarosamente saindo de trás da Lua. Em pouco mais de 2 minutos o planeta apareceu completamente e a distância entre ele e a Lua começou a aumentar.

A olho nu já foi possível notar o calombo na borda da Lua, que começou a se separar e a se distanciar. Desmontei os equipamentos correndo pois deveria devolver a chave do terraço para o porteiro até às 22:30, e já eram 22:15. Já no apartamento a Cristhiane chegou em casa do trabalho e viu o belo par no céu. Ela me contou que alguns professores no Colégio Estadual do Paraná acompanharam o evento. Ela mesma viu o par antes da ocultação.

No dia de Natal teremos outra ocultação de Júpiter. E novamente, haverá o trânsito de uma sombra pela superfície durante a ocultação, mas dessa vez do satélite Io.

Nas fotos não há os detalhes que consegui notar pelo telescópio pois meus equipamentos não são para fotografia planetária. Mas valeu o registro na minha memória!

Abaixo, deixo os links para os vídeos time-lapse. De preferência, assistam com tela cheia e qualidade máxima (HD 1080 pontos):

Entrada de Júpiter:

http://www.youtube.com/watch?v=S_ASenDWSoo

Saída de Júpiter:

http://www.youtube.com/watch?v=BtroLs1-KNk

sábado, 24 de novembro de 2012

Halos de 23 de novembro

     Apesar de estarem bem fracos, no dia 23 de novembro alguns halos apareceram no céu de Curitiba por conta das nuvens altas na dianteira de uma frente fria. Um deles é classificado como raro pelo mestre da ótica atmosférica Les Cowley, dono do site www.atoptics.co.uk.

     Eram pouco depois das 19 horas no horário de verão quando notei um brilho no céu, acima do Sol. Estava ficando um pouco mais forte e percebi que era um arco tangente superior. Alguns minutos mais tarde um halo circular, antes aos pedaços, foi ficando mais completo. Mas era um trecho de halo mais à esquerda do circular, muito fraco, que mais me chamou a atenção por ser raro: o arco supralateral.

     Gostei da cena, apesar do fato de não estarem intensos. Rendeu algumas fotos:

Halo circular, redondo com o Sol no centro; arco tangente superior, o brilho na parte de cima do circular; e o arco supralateral, bem mais à esquerda

O arco tangente superior e o halo circular abaixo
     O arco tangente superior e o arco supralateral são causados pela refração da luz solar em cristais de gelo com a forma de prismas hexagonais longos. Já o circular é formado pela refração em placas hexagonais finas.